quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Morales quer ouvir bolivianos sobre mandato


As agências internacionais de notícias informaram nas últimas horas que o presidente boliviano Evo Morales convocou, em pronunciamento transmitido pela TV estatal, um referendo revogatório do seu próprio mandato e do dos governadores. "Amanhã vou mandar um projeto de lei ao Congresso para que convoque esse referendo", afirmou. "Se o povo disser para eu ir embora, não tenho o menor problema com isso. [...] Nossa proposta é a mais democrática, a mais consciente e espero que resolva os problemas do país. Que o povo diga sim ou não a esse processo de mudança", continuou.
No discurso, Morales acusou os governadores de Santa Cruz, Pando, Tarija, Cochabamba e Beni, que representam "as forças conservadoras" contra seu projeto, de manipular a população de seus departamentos e pagar jovens para fazer greve de fome.
Os dirigentes oposicionistas estão nos EUA para reclamar das atitudes do governo na OEA (Organização dos Estados Americanos) e com a ONU.
O referendo revogatório já havia sido pedido por vários dos governadores oposicionistas, entre eles o do poderoso departamento (Estado) de Santa Cruz, Rubén Costa. Morales foi eleito em 2005 com 54% dos votos. Pesquisa divulgada na sexta pelo instituto Ypsos mostra queda na popularidade do presidente, de 62% em outubro para 52%. O presidente é bem visto por 72% na cidade de La Paz, mas só por 23% na cidade de Santa Cruz.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Morales apela para o diálogo

A agência de notícias Reuters informou que o presidente boliviano, Evo Morales, fez nesta quinta-feira um novo apelo ao diálogo com partidos e líderes regionais oposicionistas, para tentar resolver a tensão em torno da nova Constituição e da renda mínima para idosos. Morales, que não teve sucesso em tentativas anteriores de negociação, pediu aos líderes da Assembléia Constituinte que busquem o consenso entre todos os partidos sobre a nova Carta, aprovada preliminarmente no fim de semana pela bancada governista.
"Esperamos que essas pessoas [da oposição] façam uma profunda reflexão para juntos apostarmos na Bolívia", afirmou ele a jornalistas no palácio presidencial, criticando o "duplo discurso" dos líderes regionais, "que falam de unidade e gritam independência, falam de democracia e chamam à desobediência".
A oposição mantém-se irredutível. Os adversários do governo rejeitam --às vezes no Congresso, às vezes com greves regionais-- quase todos os planos políticos e econômicos do governo de Morales. O líder popular Waldo Albarracín também fez um "apelo urgente" ao diálogo nacional, enquanto a Igreja Católica convocou para um minuto de oração na sexta-feira pela paz e a unidade do país.
Embaixadores europeus deixaram uma reunião com Morales oferecendo ajuda para resolver a crise no país.
Segundo o vice-presidente da Bolívia, o sociólogo Alvaro García Linera, o que ocorre em seu país é, essencialmente, "um processo de ampla e generalizada luta e redistribuição do poder". Linera afirma que a reação às propostas do governo Morales dá-se por que a classe que sempre se beneficiou da riqueza do país e das relações com o Estado não aceitam a proposta de pactuação apresentada pelos movimentos sociais que respaldaram a recente vitória eleitoral. "Apostamos num processo de redistribuição pactuado do poder com um novo núcleo articulador: o movimento indígena”, afirma.

Ao tomar posse, García Linera dera o tom do novo governo que, segundo ele, voltará a unir a Bolívia após um período de instabilidade política e social, "mas não sobre as bases da injustiça, da imoralidade, do racismo". O sociólogo disse: "Cabe agora aos povos indígenas, aos mais nobres, aos mais verdadeiros de nossa pátria, à gente humilde ocupar o comando da nação e conduzi-la por um caminho de unidade, de integridade nacional", afirmou
As palavras de Linera encontram sentido na histórica realidade de exclusão da ampla maioria indígena boliviana, que representa 65% da população. A Bolívia é considerada o país mais pobre da América do Sul.

Burgueses

De Nicolás Gillén


Não me dão pena os burgueses

vencidos. E quando penso que vão a dar-me pena,

aperto bem os dentes e fecho bem os olhos.

Penso em meus longos dias sem sapatos nem rosas.

Penso em meus longos dias sem abrigos nem nuvens.

Penso em meus longos dias sem camisas nem sonhos.

Penso em meus longos dias com minha pele proibida.

Penso em meus longos dias.


- Não passe, por favor. Isto é um clube.

- A relação está cheia.

- Não há vaga no hotel.

- O senhor saiu.

- Deseja uma mulher.

- Fraude nas eleições.

- Grande baile para cegos.

- Caiu o Prêmio Maior em Santa Clara.

- Loteria para órfãos.

- O cavalheiro está em Paris.

- A senhora marquesa não recebe.

Enfim, toda recordação.

E como toda recordação,

que droga me pede você para fazer?

Além disso, pergunte-lhes.

Estou seguro

de que também recordam eles.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

40 anos da morte de Che

Os 40 anos da morte de Ernesto Che Guevara foram lembrados em várias partes do mundo na última segunda-feira. Em Cuba, cerca de 10 mil trabalhadores e estudantes cubanos reuniram-se diante do mausoléu que ostenta uma estátua do guerrilheiro armado com um fuzil em Santa Clara - cidade da região central de Cuba que Che Guevara "libertou" em 1958, na batalha mais importante da revolução cubana.
No dia 8 de outubro de 1967, Che foi capturado e executado na Bolívia. "Che era amado, apesar de ser teimoso e exigente. Daríamos nossas vidas por ele", afirmou Tomás Alba, 80 anos, que lutou sob o comando de Che Guevara. Na homenagem em Santa Clara, uma faixa exaltava-o como um "verdadeiro exemplo das virtudes revolucionárias".
Che Guevara continua sendo um herói nacional em Cuba e um símbolo da revolução no mundo todo. O guerrilheiro dirigiu o banco central de Cuba e comandou o Ministério da Indústria durante os primeiros anos do governo revolucionário. Defendeu a nacionalização das empresas privadas e sonhou com uma sociedade sem classes na qual o dinheiro seria abolido e os salários se tornariam desnecessários. Em 1966, deixou Cuba para iniciar uma nova guerrilha nas selvas da região leste da Bolívia, combate em que viria a ser morto.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Granma lembra Allende e 11/9


Muitos povos do mundo sofrem todos os dias conseqüências similares aos atentados do 11 de setembro por causa das políticas da Casa Branca, afirmou nesta terça-feira o jornal oficial cubano Granma.

"Para muitos povos do planeta, em todos os dias há um 11/9 por mais que se oculte que as políticas impostas pela Casa Branca, sejam econômicas, militares ou até meio ambientais, resultem num atentado contra a humanidade", afirma o jornal.

Granma recorda que nessa mesma data, só que em 1980, a "máfia anticastrista apoiada por Washington assassinou impunemente", em Nova York, o diplomata cubano Félix García.

Também nessa data, em 1973 "a junta fascista de Augusto Pinochet, com o beneplácito ianque, derrubou o governo da Unidade Popular do presidente Salvador Allende (foto), imolado naquele dia".

"Se nas Torres Gêmeas e no Pentágono morreram cerca de 3.000 pessoas, o mundo vive desde então dias de sangue multiplicadas pelo efeito da 'cruzada global antiterrorista' dos Estados Unidos", afirma o Granma, citando as invasões do Afeganistão e do Iraque.

Com informações da agência France Presse

Vice boliviano acusa EUA de financiar oposição


O vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera, disse que as verbas norte-americanas de ajuda ao país são usadas para financiar grupos de oposição ao governo de esquerda do presidente Evo Morales.

Desde que assumiu o poder, em janeiro de 2006, Morales, um líder de origem indígena aymara, tem se aliado a outros líderes de esquerda latino-americanos, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o cubano, Fidel Castro. García Linera afirmou que Washington está doando milhões de dólares para criar uma "usina ideológica" para os políticos conservadores que se opõem ao governo.

Um porta-voz da embaixada americana se negou a comentar o assunto e disse não ter escutado os comentários do vice-presidente. Mas, na semana passada, o embaixador americano na Bolívia, Philip Goldberg, admitiu que o valor anualizado da ajuda de seu país até outubro poderia chegar a 120 milhões de dólares e não a 140 milhões de dólares. "Ajudas que fomentam resistências políticas não são boas ajudas e não são bem recebidas", disse García Linera, um intelectual e ex-guerrilheiro de esquerda.

Com informações da agêncua Reuters.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Oitenta e um anos de Fidel Castro


O presidente cubano Fidel Castro completa hoje 81 anos de idade. O guerrilheiro que derrotou o ditador Fulgencio Batista em 1959 e governou Cuba nos 47 anos seguintes desafiando os Estados Unidos, mantém-se como o principal líder político da América Latina e um dos grandes estadistas, talvez o único no mundo.