sexta-feira, 1 de junho de 2007

Um pouco de Neruda


De Neruda, em Canto Geral

"Eu quero terra, fogo, pão, açúcar,
farinha, mar, livros, pátria para todos,
por isso ando errante..."

quarta-feira, 30 de maio de 2007

O velho comunista


Marcelo Salles/fazendomedia.com

Em 2006, a revista Caros Amigos publicou entrevista especial com o arquiteto Oscar Niemeyer. Abaixo, algumas frases do velho comunista:

"Isso é besteira. Eu não sou importante. O sujeito que vai num protesto é mais importante do que eu" (em resposta a afirmação de que ele será o único brasileiro a ser lembrado daqui a 500 anos)

"O mais importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar".

"Quando a miséria se multiplica e a esperança foge do coração dos homens... só a revolução".

"A América Latina está caminhando para a revolução. Já compreendeu que precisa se armar, pois não sabe o que vem por aí. Bush está desmoralizado".

"Lula quer melhorar o capitalismo, mas o capitalismo está morto".

O Lula é um operário no poder. Se importa com a pobreza. Esse governo não tem o ímpeto de mudança que a gente esperava, mas a outra opção é pior".

As curvas


Niemeyer, sobre a sua relação com a arquitetura:

"(...) Não é ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homen.
O que me atrai é a curva livre e
sensual. A curva que encontro
nas montanhas do meu país, na
mulher preferida, nas nuvens do
céu, e nas ondas do mar.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein."
Foto de Fábio Cherman

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nova geração


O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, produziu mais um factóide nesta segunda-feira, no dia do Memorial Day, para tentar melhorar sua imagem pública. Bush homenageou a "nova geração" de soldados que combatem no Iraque e no Afeganistão. Disse ele no cemitério militar de Arlington (EUA): "Enterramos nossos mortos aqui durante sete gerações". E acrescentou: "Agora, esta terra sagrada recebe uma nova geração de heróis: homens e mulheres que deram sua vida em lugares como Cabul, Kandahar, Bagdá e Ramadi".
A campanha de marketing tem tido resultado inverso na opinião pública norte-americana. Segundo uma recente pesquisa da CBS News e do New York Times, 61% dos americanos pensam que os Estados Unidos não deveriam ter entrado em guerra no país árabe. Interessante é a amnésia quanto a participação da mídia daquele país que, depois de 11 de setembro, patrocinou uma campanha pesada em defesa da invasão militar no Iraque. Hoje, cerca de 150.000 soldados americanos estão mobilizados no Iraque. Mais de 3,4 mil militares dos Estados Unidos foram mortos no Iraque desde a invasão do país em março de 2003, segundo um balanço da AFP com base em dados do Pentágono.

Poema do aviso final


A poesia do piauiense Torquato Neto, com toda a sua eloquência, ilustrada por obra de Portinari:

"É preciso que haja alguma coisa
alimentando o meu povo;
uma vontade
um certeza
uma qualquer esperança.
É preciso que alguma
coisa atraia a vida
ou tudo será posto de lado
e na procura da vida
a morte virá na frente
e abrirá caminhos.
É preciso que haja algum respeito,
ao menos um esboço
ou a dignidade humana se afirmará
a machadadas."

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Galeano de novo


El gol es el orgasmo del fútbol. Como el orgasmo, el gol es cada vez menos frecuente en la vida moderna.

Hace medio siglo, era raro que un partido terminara sin goles: 0 a 0, dos bocas abiertas, dos bostezos. Ahora, los once jugadores se pasan todo el partido colgados del travesaño, dedicados a evitar los goles y sin tiempo para hacerlos.

El entusiasmo que se desata cada vez que la bala blanca sacude la red puede parecer misterio o locura, pero hay que tener en cuenta que el milagro se da poco. El gol, aunque sea un golecito, resulta siempre gooooooooooooooooooooooool en la garganta de los relatores de radio, un do de pecho capaz de dejar a Caruso mudo para siempre, y la multitud delira y el estadio se olvida de que es de cemento y se desprende de la tierra y se va al aire.

Eduardo Galeano


"(...) Qué tal si empezamos a ejercer el jamás proclamado derecho de soñar? ¿Qué tal si deliramos, por un ratito? Vamos a clavar los ojos más allá de la infamia, para adivinar otro mundo posible: [...] La gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar; se incorporará a los códigos penales el delito de estupidez, que cometen quienes viven por tener o por ganar, en vez de vivir por vivir nomás, como canta el pájaro sin saber que canta y como juega el niño sin saber que juega (...)"